sábado, 11 de junho de 2016

Profecia

A Tua insígnia
Designa
Teus signos e sinais
Significam
Sinos em Sinai
Anunciam
A partida,
A chegada,
O Messias.
Porque a Tua insígnia,
A Palavra escrita,
É o Caminho,
A Verdade
E a Vida.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Currículo

Sobre vida:
Sobrevida
Sobra vida?
Breve, a vida
Ávida, viva
Meia vida
Inteira.

Alberto Torquato Secundo

Sofismas

Humanamente falando,
A gente engana
A humana mente
Cigana, mundana
Gente
Que sabe que
A mente humana
Mente.


Alberto Torquato Secundo

Carpe aeternum

Quando o que é perene aparece
Parece que tudo o que perece
Para de ser:
A cor empalidece,
O som emudece,
A morte adormece
E não torna a acordar.
Pois o que é sempiterno
Ofusca o fugaz
E a glória do eterno
O efêmero desfaz.

Soneto à dois

Grava-se em dois pares de olhos
Um quê de fulva esperança
Que arde em certezas
De uma real segurança.

Grava-se em dois pares de lábios
Um gosto de música
E na tua boca,
As minhas curvas.

Grava-se em dois corações
Sem pressa, sorrisos, sentidos
Sãos e salvos; Somos canções.

Grava-te em mim,
Olhos, boca, alma e coração,
E nunca me deixe ir. 




terça-feira, 19 de maio de 2015

Leviatã

Eu inexisto.
Tenho a ausência
Que preenche
A existência:
Metade ser
Metade bicho.
Evolui a evidência
De que o Homo sapiens [sapiens],
Natural, mente, em seu próprio nicho,
Sabe que só se satisfaz sendo,
Soberbo, sutil e altivo,
Homem
Lobo do próprio homem.


Alberto Torquato Secundo

Arritmias

Neste compasso
Meu marca-passo natural
Acusa ritmo anormal
Irregular, em dois tempos:
O seu e o meu.
De rápido a lento,
Percorre o ar lento
Do alento
Ao pulmão adentro.
Enquanto isso,
Rimas se encontram,
Forma-se um poema
Assimétrico e perfeito
No intervalo de um beijo.


LGC

domingo, 1 de março de 2015

Sofismas

Humanamente falando,
A gente engana
A humana mente
Cigana, mundana
Gente
Que sabe que
A mente humana
Mente.

sábado, 9 de agosto de 2014

O tempo e o vento

Remindo o tempo,
Eu conto os dias,
Que são maus.
Sopra o vento
E ouço a brisa.
É Carnaval!
Mas já se foi
Tão banal...
Tão fugaz...
Que já não faz
Sentido algum
Voltar atrás
Nunca mais
Perder nenhum
Dos teus sinais,
Dos teus acordes
Que no meu cais
Me fazem lembrar:
Haverá um tempo
Em que não haverá
Tempo algum.


LGC

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Filo Echinodermata



Dizem que o sol tem uma vitamina que faz bem pros ossos. Esses cientistas descobrem tudo. Resolvem tudo. Menos os seus problemas pessoais. Eu não entendo bem do assunto; gosto mesmo é de ajudar mamãe aqui no artesanato de Canoa Quebrada. Mas vez por outra eu gosto de observar de longe, de imaginar o que aquelas pessoas com um chapéu na cabeça, óculos escuros, cara rosada, protetor solar e uma câmera fotográfica pensam. Será que eles enxergam o mar como eu? Outra vez eu tava assistindo na tv que uns outros cientistas estavam assustados com a beleza de uma das grutas daqui da região, e chamando um bocado de nomes esquisitos... um deles eu lembro até hoje, porque foi engraçado. Era "estalactite".

Não entendo esses cientistas. Eles querem uma explicação pra tudo, quando às vezes a graça está em não descobrir nada. Em ouvir as ondas quebrando, em achar biscoitos na praia produzidos por alguma fábrica que ninguém sabe onde está. É muito bonito não saber qual a nota que o peixe canta pra que ele e seus irmãozinhos fiquem juntos ou por que o mar briga tanto com a lua, ou por que ele tem gosto de sal. Mamãe costuma dizer que o mar é tipo um céu. Só que com menos estrelas.

Não tenho muito entendimento sobre essas coisas da ciência. Acho até interessante de ouvir de vez em quando. Mas prefiro os búzios. Não sei de onde vem aquele som, mas essa dúvida me traz a certeza de que o que Deus criou é bonito.
E isso me faz sorrir. 

(Luísa Guimarães Couto)