Quando esses olhos
Encontram os meus
Vejo um vitral
Caramelo, cristal.
E esse encontro par
Faz-me enxergar
O que eu não quero ver
E o que eu quero ter.
Em um piscar de olhos
Tu despertas, sem intento,
O que eu busco adormecer.
Peço-te, portanto,
Que não me olhes nos olhos
Pois será óbvio o meu encanto
E evidente o engano
De poder te ver.
Peço-te, no entanto,
Que não os retire de mim,
Posto que são o meu canto,
Meu refúgio, e um tanto
De um terço
De um começo
Que espero não ter fim.
LuísaG.Couto
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